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Mulher trans que processou UFG após ser chamada pelo nome de registro em formatura voltou à universidade para o mestrado: 'Me formei mestra no mesmo prédio'

UFG é condenada após anunciar mulher trans pelo nome de registro ao invés do nome social A atriz e professora Mar Dias Rosa, de 27 anos, processou a Universi...

Mulher trans que processou UFG após ser chamada pelo nome de registro em formatura voltou à universidade para o mestrado: 'Me formei mestra no mesmo prédio'
Mulher trans que processou UFG após ser chamada pelo nome de registro em formatura voltou à universidade para o mestrado: 'Me formei mestra no mesmo prédio' (Foto: Reprodução)

UFG é condenada após anunciar mulher trans pelo nome de registro ao invés do nome social A atriz e professora Mar Dias Rosa, de 27 anos, processou a Universidade Federal de Goiás (UFG) após ser chamada pelo nome de registro em uma cerimônia de formatura. Em entrevista ao g1, Mar, que é uma mulher trans, disse que, embora não tenha se sentido parte da universidade por algum tempo após o episódio, voltou à instituição como a primeira travesti a ingressar no mestrado em Artes da Cena, em 2023. "Me formei mestra no mesmo prédio, na mesma universidade, porque, apesar dos pesares, essa universidade também é minha e eu posso estar nela", completou. UFG é condenada após anunciar mulher trans pelo nome de registro ao invés do nome social em colação de grau O caso aconteceu em 2022, durante uma cerimônia pública de colação de grau, apesar de o nome social estar corretamente registrado nos sistemas acadêmicos da universidade. A UFG foi condenada pela Justiça Federal a pagar R$ 4 mil por danos morais. Ao g1, Mar disse que, durante a rotina do curso, já era identificada pelo nome social e que o episódio "acabou" com um momento que seria especial. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Em nota ao g1, a UFG lamentou o ocorrido e reafirmou como prioridade o respeito a cada pessoa e a todos os seus direitos. A instituição destacou que, na cerimônia de formatura, ao identificar o erro, dois minutos após o chamamento incorreto, a equipe imediatamente pediu desculpas e a aluna foi novamente convidada ao palco com o nome social (leia a nota completa abaixo). UFG é condenada após anunciar mulher trans pelo nome de registro ao invés do nome social em colação de grau Arquivo/Ruth Bennett Justiça reconhece falha da universidade A sentença saiu em março de 2026, mas o pagamento da indenização foi feito em agosto, de acordo com Mar. No documento da condenação, o Juizado Especial Cível e Criminal Adjunto à 2ª Vara Federal da SSJ de Anápolis reconheceu que foram apresentadas provas suficientes de que o nome social da estudante era usado em registros institucionais desde 2021. No documento, o Juizado considerou que a conduta da UFG configurou falha administrativa e violação ao direito de reconhecimento da identidade de gênero e à integridade psíquica. A sentença, porém, reconheceu como atenuantes o fato de a universidade ter corrigido o erro durante a própria cerimônia, chamado novamente Mar pelo nome social e entregue o diploma em igualdade de condições com os demais formandos. Também considerou que a UFG reconheceu a falha e tentou adotar uma postura conciliatória. 'Me senti humilhada' Quatro anos após o ocorrido, Mar ainda lembra de como se sentiu no momento em que ouviu seu "nome morto", como chama o nome de registro, sendo chamado durante a tão sonhada colação de grau do seu curso de teatro na Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás (Emac-UFG). "Aquilo acabou para mim, naquele momento, com a colação de grau. Me senti humilhada diante de tantas pessoas. O Centro de Eventos estava lotado, estava sendo transmitido pela internet. As pessoas que eu tanto cobrava que me chamassem pelo meu nome vendo a UFG não me respeitar também", disse ela. Nota A Universidade Federal de Goiás (UFG) informa que, a respeito de condenação por danos morais por não utilização de nome social de uma estudante em uma colação de grau, a sentença foi proferida em 01/10/2025 e transitou em julgado em 10/01/2026. A requisição do pagamento foi emitida em 25/06/2026, mas a Instituição ainda não recebeu a intimação para pagamento, trâmite necessário para a quitação do débito. A UFG lamenta o ocorrido e reafirma como prioridade o respeito a cada pessoa e a todos os seus direitos. Ressalta-se que, ainda na cerimônia de formatura, ao identificar o erro, dois minutos após o chamamento incorreto, a equipe imediatamente realizou um pedido de desculpas e a aluna foi novamente convidada ao palco com o nome social. Também é importante salientar que há mais de 10 anos a UFG tem desenvolvido uma série de políticas de ações afirmativas voltadas para a comunidade trans (transgêneros, transexuais e travestis). Destacam-se, entre elas: a utilização de nome social nos sistemas e documentos oficiais da Universidade; as cotas nos cursos de graduação e pós-graduação; as bolsas de moradia e assistenciais para estudantes trans e travestis em situação de vulnerabilidade social; além de campanhas e programas de conscientização voltados à visibilidade trans e combate à transfobia. Reitoria da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia Divulgação/UFG 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás